domingo, 9 de outubro de 2011

Gosto de catar pedras.O meu avô também gostava.

Bom, na verdade, o que gosto no catar pedras é o trazer-me à memória o meu avô a catar pedras. Também ele não devia amar a tarefa por aí além. Mas aqui estamos, separados por décadas, unidos por uma memória tão simples.

Ficamos a viver nos outros pelas pequenas coisas.

Não percebia muito bem o porquê de ele o fazer. As pedras faziam parte da terra, que mal havia deixá-las ficar?

Agora aqui ando eu, enxada em punho, rabo para o ar... a recolher pedras que mais parecem batatas prontas a apanhar. Terreno fértil em pedras, sempre pronto a gerar e gerar e gerar...

Não deixa de ser estranho. A vizinha Fernanda queixa-se do mesmo e anda por ali há bem mais tempo que eu. As pedras não se reproduzem, fruto do adubo e da chuva. Mas renovam-se constantemente, como se estivessem em camadas intermináveis que vão sendo vomitadas pela terra.

Tenho para mim que vou conseguir vencê-las.... se bem que já estive mais convencida disso. O monte das até agora sequestradas cresce e a enxada continua a encontrá-las, aqui, ali, acolá.

Sou adepta da agricultura biológica... não fosse, e já teria comprado um potente pedricida!
Lá onde estiver, o meu avô também se sentiria justiçado.

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