domingo, 5 de dezembro de 2010

2º Capitulo

Evaristo passava todas as semanas naquela rua. Impressionava-o a dedicação daquele cão a quem tinha escolhido como dono. Permanecia pacientemente à porta da casa onde o dito entrasse. Não abandonava por nada o posto de vigia.
Evaristo sentia assim a sua Adélia.

Pior que a inexistência do amor, seria com toda a certeza a falta de correspondência que Adélia sentia no seu escolhido.

Curiosa esta dicotomia entre o querer e o poder. Evaristo queria muito amar Adélia, mas o amor não é só querer.

A Fé que lhe tinham ensinado mantinha-o na esperança de poder amar livremente. O amor animal, aquele que os outros tinham por pernas e peitos atraentes não eram para Evaristo, ele queria o amor de fases.

Do sonho, desejo ardente, à construção. Queria sentir-se desejado por quem desejasse. Queria sentir-se dependente no desejo, não de uma mulher que fosse esposa dedicada, sem falha a apontar mas que era mais uma segunda mãe.

A curiosidade levava-o para longe nos pensamentos. Vagueava pelos tempos em que fazia as delícias das moças. Dizia o que elas gostavam de ouvir, tocava-lhes a alma, ou o coração, e era fiel a cada uma. Nunca namorara mais de 3 meses até conhecer Adélia, a quem era fiel.

Evaristo achava a lealdade uma característica fundamental para qualquer relação. Repugnava-o a velha máxima do macho enquanto animal que está sempre pronto para a cúpula. Nunca sentira o à-vontade necessário para acompanhar amigos e conhecidos nas constantes idas às casas de meninas. Metia-lhe nojo o comportamento dos homens enquanto predadores sexuais. Indignava-o a capacidade de algumas mulheres irem para a cama por ir. Achava que tudo teria de ter um significado.

Sim, também já tinha tido relações fugazes com sexo louco e excelente. Mas tinha passado pelas fase que considerava como essenciais. O “namoro” era para ele fundamental. E a lealdade.

Um dia, ainda adolescente, telefonou de madrugada para casa de uma namorada para terminar o namorico, para assim poder iludir-se com um conhecimento de ultima hora. Insensível nem sequer se inibiu por ser noite de ano novo.

Enfim. Uma semana passara desde a meta definida. E nada.

Evaristo continuava na mesma. Pagava as contas, segurava as pontas, nada de sexo e Adélia a começar a desconfiar.

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