Evaristo era um tipo cheio de bom aspecto. Alto de tez morena, não muito entroncado mas com definição muscular, daqueles gajos que parece que saíram do molde que qualquer garina faria.
Mulheres, ou melhor, miúdas não lhe faltavam. Com 18 anos já tinha um vasto currículo, desde a filha do Pires da mercearia, às meninas da catequese, passando por todas as que dava jeito e porque sim. Apesar de tímido, desde chavalo que tinha paciência para as ouvir, parecia toldado para confidente.
No ciclo, passava mais tempo entre as meninas do que a jogar futebol. Era um predestinado do engate.
Agora com 31 anos fazia contas ao que perdera.
Maldito dia aquele que, aos 18, o tinha levado para aquela pizzaria.
A mulher do patrão, trintona, grandes mamas, tacão alto a fazer elevar o pacote; como viria a dizer o seu avô quando a conheceu: “Um cú num belo estado de conservação!”
Adélia, até aí fiel ao marido, caíra de amores pelo miúdo. Até lhe dar uns beijitos foram 3 meses de ansiedade. Depois, grata pela dedicação que Evaristo demonstrava ao trabalhar até altas horas da noite, deu-lhe um “aumento” ao “emprestar-lhe” o cartão de crédito. Evaristo tira a carta, compra um carrito e passa a ir às compras com a patroa.
As tardes na Boca do Inferno, ou na Serra de Sintra, eram como que a devolução em géneros de tudo o que Adélia lhe proporcionava.
Evaristo, que não era ingrato, aceitou casar com Adélia quando o marido a pôs com os olhos negros de porrada. Fugiu para Alcochete, arranjou emprego numa herdade a tratar dos animais e levou com ele Adélia.
Não a amava. Mas tinha a gratidão a forçar-lhe o gosto.
Naquele dia, ao chegar do trabalho a casa, foi tomar um duche e, ao masturbar-se pela 3ª vez pensou:
- Tenho que me separar. Já nem consigo ir ao pito por obrigação. Chegou a altura do amor.
Adélia, mulher já madura, notara que Evaristo andava diferente, xingava-lhe o juízo pela ausência de sexo, mas era incapaz de o trair, tal era o amor que lhe tinha.
Uns anos antes também ela se tinha deixado iludir pelo futuro brilhante de comerciante burguês do homem que depois a maltratava. Ela também sabia que tinha comprado o amor.
Evaristo iniciava uma cruzada que, ambicionava, o levaria à felicidade que perdera.
Sentia-se perdido. O físico pedia-lhe sexo e a cabeça impedia-o de o fazer sem amor. Martirizava-se por não ser capaz, mas aquela convivência com tanta mulher, aquele velho hábito da confidência, todas as queixas das suas amigas lhe vinham à memória e Evaristo sentia-se culpado por não fazer Adélia feliz. Mas queria e sabia que devia fazer feliz quem amasse.
Tinha tanto ponderado e pensado, lido até sobre os amores que acabam, mas sabia que o seu nem tinha começado. E a vida no vazio não lhe trazia sentido.
- Homem com consciência de gaja, é o que eu sou, pensava.
Bem, com ou sem consciência, Evaristo, determinado, abraçou por baixo daquele chuveiro, uma missão: Separar-se.
Como? Logo se vê!
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