sábado, 6 de março de 2010

Ilusões

“Andas iludido!

É tudo uma questão de reflectires sobre a veracidade de tudo isso, sobre a possibilidade de alguém pensar assim, de um momento para o outro, quase impulsionado por uma vontade que mais parece tua do que do próprio.

Alguma vez pensaste que fosse possível tal raridade?

Alguma vez achaste real a eventual conversão do Homem ao que é justo, ao que o preenche?

Alguma vez imaginaste alguém ser coerente com as suas ideias e sentir-se completo e feliz?

Alguma vez sentiste que isso da felicidade suprema seria concretizável, mesmo parecendo tão à mão?

Pensas porventura que a química de que se fala tem alguma coisa a ver com os pensamentos ou com os sentimentos?

A química é exacta. Nunca oxigénio com ferro dá água. Oxida, enferruja.

A química nos relacionamentos não passa de ilusão, não passa de pura experimentação.

E isto de acharmos que algo que nos aparece é certo para aplicar aqui e ali, na nossa vida nem sempre o é. Algo que queremos forçosamente que faça parte do que desejamos.

Mas não.

É como quando procuras algo muito pequeno num areal extenso. Qualquer coisa diferente da areia te vai parecer o que procuras.

O segredo é deixar de procurar. Deixa a busca, não a faças. O destino encarregar-se-à de te abrir a porta certa, ou de te mostrar uma luz.

Um dia hás-de seguir uma das luzes. Hás-de seguir uma sem duvida.

Porque não há cego que não queira ver. E o que não vê com os olhos há-de ver com a alma, nem que tenha que a queimar.”

Sem comentários:

Enviar um comentário