domingo, 17 de fevereiro de 2013

Tivéssemos nós o poder de convocar os sonhos. Às vezes conseguimos, como que programamos a mente antes de dormir, agarramo-nos a um pensamento e conseguimos levá-lo para o campo do onírico.

Quando as pessoas nos morrem, por vezes é esta a forma que arranjamos de as trazer de volta.

Sentimos, mesmo a sério, mesmo quando não somos crentes, que são um pontinho luminoso que fica a cuidar de nós lá no céu ou sobre o nosso ombro. O nosso anjo da guarda. Que nos dá força, nos guia por caminhos certos e nos afasta dos errados. Às vezes sentimos mesmo essa presença.

E os sonhos, oh, os sonhos… são momentos esperados, de reencontro, em que eles nos visitam e perguntamos “onde estiveste este tempo todo, que não soube de ti?”, ou “como conseguiste, morreste e voltaste? Foi um engano? Um avanço da ciência? Não interessa, que bom! Fica aqui agora!”. E durante aqueles momentos eles voltam a estar connosco. Abraçamos, olhamos, sentimos, falamos, VIVEMOS! Com tudo a que a vida tem direito, e mais, por ser uma vida resgatada!

Depois do surreal que é morrer-nos alguém, e descoberto este poder dos sonhos, passamos a ansiar pela noite. De manhã o sonho confunde-se com a realidade e sabemos que eles estiveram mesmo ali, connosco. Sentimo-los. Tudo voltou a recompor-se. Quem diz que não é o sonho a verdadeira versão do real?

E assim os vamos mantendo ao nosso lado, vivos, aligeirando a dor e a solidão e ganhando forças a cada noite deste elixir secreto.

Depois, de repente, olhamos para trás e vemos que eles já lá não estão. Deixaram de nos visitar e nem convocando aparecem. Manhã após manhã, constatamos que da nossa memória não conseguimos espremer uma imagem, uma palavra, um toque… voltaram a não comparecer.

Fica um sentimento ambíguo de abandono. Abandonaram-nos eles ou fomos nós a abandoná-los? Já não precisam de nós, puderam passar o limbo e seguir em frente? Ou teremo-los nós traído e abandonado?

Será este abandono para sempre, agora para sempre? Estaremos prontos para seguir em frente, sozinhos, sem o nosso pontinho luminoso?

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