terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Capitulo …

Evaristo penosamente continuava a tentar.

Continuava a saga de encontrar o caminho que o levaria à liberdade. Cobardemente deixava que os pensamentos do bom que tinha a vida de casado lhe permitia. A estabilidade alcançada, o periquito, o gato, as refeições que a esposa sempre preparava com carinho, os confortos de olhar para o armário e ter sempre roupa para vestir, a casa arrumada, etc.

O amor, segundo Evaristo, era tão só o conforto de um lar. Não passava de um complexo de Édipo.

É curioso, pensava, não há homem no mundo preparado para viver sem uma mãe.

Sua intenção de se separar não era um grito de liberdade, era tão só uma partida em busca de um amor que o fizesse voltar aos tempos de amado e de amante.

Discutia quase diariamente com Adélia. Custava-lhe ver que ela estava determinada a defender aquele lar até ao limite das suas forças.

A mulher é uma força da natureza. Não existe igualdade legal que force o homem a chegar-lhe aos calcanhares. A mulher só é inferior ao homem em força física. No resto não tem sequer metade da vontade, da dedicação, inteligência, sensatez e astúcia da mulher.

Não existe homem que  consiga fazer, com a naturalidade feminina, a rotina de uma mulher. Trabalho, filhos, lida da casa e ainda um marido.

Continuas rotinas que aos olhos dos demais mortais, homens, são pouco valorizadas. As rotinas tornam-se em movimentos naturais de quem os faz aos olhos de quem observa.

O tributo que Evaristo dava às mulheres da sua vida era a gratidão com que ficava. Mas não lhe chegava para alimentar o fogo que lhe consumia o coração e a alma de amante sedento de acção. E essa, Adélia já não lhe provocava.

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