segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

3º Capítulo

20h27!

Porra! 30 minutos para tomar banho, fazer a barba, vestir um trapo e ir buscar a Monique para o prometido jantar.

Como sempre, o último cliente entra depois da casa fechada. Numa terra onde todos se conhecem, negar um desenrasque era dar mais um empurrão ao negócio na direcção do abismo.

Barba não. Ficou como estava. Afinal, a minha companhia para a ceia tinha um ar tão informal que, provavelmente não se chocaria. Banho? É melhor. Sempre fico mais fresco e sem cheirar a cebola, pensei para com os meus botões, verdadeiros companheiros de esclarecimento de dúvidas.

Depois do divórcio, até a comichão nas costas perdi. Casado, era o meu pedido usual: “Amor, coças-me as costas?”. Ficamos sós, perdemos hábitos que custam a esquecer e ganhamos destreza para tarefas impossíveis de concretizar a solo. Como decidir o que vestir. Ou o que calçar. Enfim…

Custou mas lá enfiei uma camisa ataviada por dentro das calças de ganga que tanto conforto me proporcionavam. Um blusão para agasalhar da humidade e guardar a carteira e lá fui a correr ter com a minha nova hóspede.

Tinha telefonado ao Sr. Alfredo que me preparou a mesa com um toque de ocasião. A sala pequena, com a televisão já a debitar decibéis distorcidos pelas intermináveis horas de uso, tornara-se numa espécie de taberna à antiga, com carnes de fumeiro penduradas na espécie de telheiro que cobria o bar. Com a lareira a consumir a lenha como se fosse jornal, tudo ali parecia uma espécie do que afinal não era: Um restaurante. Para mim era apenas a sala de jantar. Onde descansava enquanto jantava, e conversava com, como tudo aquilo, uma espécie de família.

Entrei com aquele monumento Dinamarquês e tudo parou. A Dª Emília, esposa do Sr. Alfredo, sorriu e saiu-se com uma espécie de francês que tinha aprendido lá pela Gália. Ri a bandeiras despregadas com o ar de espanto da Monique sem saber o que responder. Pudera! Aquela espécie de pronuncia dava à conversa um tom imperceptível para qualquer ser vivo.

Jantámos um robalo ao sal. Verdadeiro petisco, regado com um vinho verde fresco, depois de algumas entradas que a deixaram deliciada. As conversas mantiveram-se pelas circunstâncias de quem ainda não se conhece. O tempo não dava para mais. Deixei-a nos seus aposentos, meia fustigada pelo licor de mel da Dª Emília que lhe prometeu um bom preço para as refeições.

Continua…

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