Era dextro e por isso viu-se e desejou-se para escrever com a mão esquerda nesse período.
Eu, miúda esperta e sempre atenta, olhei para aquilo e comecei a pensar na vida… e se me acontecesse algo parecido?! Nah… a mim não me apanham desprevenida… Toca de começar a escrever à canhota!
A minha prima (formalmente prima mas com mais jeitos de tia) viu aquilo e perguntou-me o que se passava… e eu disse, orgulhosa: “O Paulo Mourato partiu um braço e agora tem que escrever com a mão esquerda e não consegue… e então, por causa das coisas, eu estou já a aprender a escrever à canhota!”.
Não sei porquê, mas o certo é que levei um valente estalo. Não sei porquê até hoje, mas também não guardei mágoa. E até me rio quando recordo.
Não voltei a tentar escrever com a mão esquerda (aprendi a lição, fosse ela qual fosse…) e ainda bem que nunca cheguei a partir o braço nem a mão nem o pulso… andei engessada no Carnaval passado, mas só para compor a personagem… pronto, confesso, foi uma fantasia que ficou daquela altura…
Mas, vistas as coisas, fiquei com um handicap que podia muito bem ter superado… porque não me deixaram aprender a escrever à canhota?! Hoje seria uma desenrascada ambidextra… quiçá se não conseguiria até escrever em simultâneo com as duas mãos… mas não, a minha prima cortou a minha proactividade pela raiz…
Felizmente noutras ocasiões passei mais despercebida. Via as senhoras a arranjar os pêlos ali próximo dos olhos e achei que também eu tinha que tratar de mim. Mas o que era aquilo que faziam?!
Hum… já estava a ver como era… peguei na tesoura e comecei a cortar as pestanas. Não sei se o fiz uma vez ou se repeti o feito, como convém aos bons tratamentos de estética. Não fui apanhada por ninguém a fazê-lo e, por sorte, não furei um olho.
Mas, vai-se a ver, hoje aí andam a pôr pestanas postiças e a comprar rímel de alongamento, enquanto eu… bom, eu passeio-me alegremente pestanuda :) :) :)

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