O amor, como a vida, é imprevisível, e isso é o que de mais belo e assustador ele tem.
Aqueles amores que duram uma vida inteira duraram-no dia após dia.
Vi relações perfeitas perecerem definitivamente de um dia para o outro.
Vi relações sofridas terem, depois disso, momentos de felicidade e companheirismo que mostram ter valido a pena ficar.
Vejo relações que atrofiam as partes, que as fazem minguar, enfraquecer, como se cada um jogasse numa equipa contrária, e vejo outras que parecem fazer desabrochar o que cada um tem de melhor. Que fazem crescer, que libertam, que fortalecem à medida que o tempo passa.
Vejo pessoas que andavam perdidas, meio sem rumo, que saltavam de relação em relação… e depois pousaram numa nuvem de estabilidade, felicidade, encontro, o porto de abrigo em que cada um faz do outro um ser melhor, em que é um bálsamo, lhe dá força.
E não tem a ver com quem somos e com o que pensamos da vida, se virmos que solteiros/as militantes são por vezes convertidos/as a companheiros/as e pais/mães…felizes, porque são esses que aqui interessam, os felizes.
E lembro-me do Johnny Depp… um solteiro militante, errante, símbolo sexual, convertido a companheiro e pai feliz (e ainda símbolo sexual)… dia após dia, há mais de 10 anos. Mas vejo amores assim também aqui, muito mais próximos.
Vejo relações que se fecham sobre si, sobre os dois, sobre os filhos que chegam, porque agora passa a ser tudo mais difícil de articular. Porque assim é ou porque agora é esse o pretexto utilizado para a postura que já antes existia.
Vejo relações em que a mulher perde o seu tempo livre e a disponibilidade mental para dele dispor porque o marido ajuda (põe a mesa), e deixa a roupa, a loiça e a casa (dos dois) para ela cuidar… vi relações em que partiram do mesmo ponto de partida profissional e em que ele chegava a casa e investia na carreira e deixava para ela, naturalmente (!) o fazer o jantar, a roupa, a casa. Vejo relações em que ela se senta, egoísta, no sofá, enquanto ele trata de tudo isso.
O amor é eterno? É eterno enquanto dura. E assim pode ficar pelo caminho após o primeiro embate, na primeira semana, ou dia após dia, durar uma vida inteira.
O amor quer-se, acima de tudo, feliz. Na balança do deve-haver, positivo.
Uma vida feliz e preenchida, em que a soma dos dois faz um melhor resultado do que o percurso de cada um por si. É esse o amor que se quer.
A vida está aí para ser bebida – a sós, plenos, ou com cara-metade, igualmente plenos.
Mas bebendo o que de melhor ela nos oferece em qualquer uma das condições.
terça-feira, 15 de setembro de 2009
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