Sou predador. Sou jogador. Jogo com as pessoas.
Defino metas e divirto-me a manipular os factos, as palavras, o tempo, as emoções.
Jogo. Surpreendo-te, aparecendo, prendo-te com as minhas ausências.
Eu próprio confundo o que é falso e genuíno em mim. O jogo mistura-se com a realidade. Sou como um actor com vários papéis, guiões variados no palco da vida. Eu decido que personagem assumir, de acordo com quem vou contracenar. Escolho as vestes, o olhar, o toque.
Planeio, ao pormenor, a intensidade com que te abraço.
Talvez seja este o meu eu mais verdadeiro, aquele que constantemente se reinventa. Mau carácter? Não. Não te quero mal. Quero simplesmente jogar, testar-me, ver até que ponto te rendes a cada palavra, a cada carícia. Testo-me e aprimoro-me.
Para. Para mostrar a mim próprio e aos outros. Sim, troféus. Pequenos troféus.
Gosto de sentir o saborzinho a desafio enquanto te manipulo... a marioneta que responde a cada cordel que puxo ou deixo lasso. Que largo e volto a pegar quando a cena reinicia.
Sim, é pelo sentimento de domínio, de poder.
Um desafio que faço e vou repetindo a mim próprio. Um jogo em que apenas eu sei que jogamos. Um isco que lanço e aguardo para ver o que me traz de volta.
A presa, o peixe depois de emergido, brinco algum tempo com ele, vejo-o debater-se e lanço-o de novo à água.
Vivo? Morto? Não sei.

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