segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Amor de Verão

Recordo-os com saudade. Embora nostálgica, a saudade é aquela sensação de algo que perdemos e não regressa.

Os de verão deixavam sempre aquela ideia do impossível, de um amor ardente de tão fugaz e intenso. Era a tentativa de eternizar o verão e o amor, eternos enamorados.

A paixão, intensificada pela subida do termómetro, potenciada pelos dias intermináveis, era única e inigualável.

Não há quem as não tenha tido, vivido e lembrado.

Houve mesmo quem as chorasse no Outono da felicidade, que, quando jovens, coincide com a época do ano em que ao cair das folhas, parece que levam com elas, além da cor da vida, a esperança de aquele amor voltar.

E no ano seguinte, ainda sem saber o que dizer àquela pessoa, que como nós, estava diferente, ficávamos pela troca de olhares e cumprimentos ocasionais, partindo em busca de outro amor que nos devolvesse a ilusão.

E fomos crescendo, perdemos tudo mas ficamos com as memórias. Tão boas…

2 comentários:

  1. E foram tantos os que tive. Muito bom. Keep going!

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  2. E quando é um amor de verão tão diferente de tudo o que se viveu até ali, mais perfeito?
    E que por isso se quer preservar e fechar antes que ele seja corrompido.
    Fecha-se na caixinha, traz-se connosco… e ali ficará sempre, a assombrar as relações vindouras, reais, com o seu expectro de perfeição.

    E passam anos, muitos, muitos anos… até que um dia conseguimos, finalmente, reencontrá-lo… coração acelerado, respiração sobressaltada… e concluímos que tudo não passou duma ilusão, que já não existe a pessoa com quem tudo foi tão perfeito… que o tempo passa, que as pessoas mudam… o outro e nós… e que não somos mais que dois estranhos.

    Que foi tudo uma doce ilusão que nos alimentou durante anos e anos… nos acompanhou, nos preencheu… mas que não realidade não existe.

    E aí ficamos gratos por tudo o que ela nos trouxe, e felizes por estarmos, finalmente, livres.

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